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Rabbi Moshe Pitchon

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Reading the TaNaKh in the 21st century

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O Santuário do Silêncio

Ter consciência de que a nossa existência faz parte de algo que nos transcende, ter consciência de que somos parte de uma realidade que não criámos e que não controlamos, não é algo que nos chegue facilmente nem algo em que nos sintamos confortáveis a pensar. Na verdade, pode até ser um pensamento assustador.

 

Poderá ser esta a razão pela qual, na maioria das vezes inconscientemente, vivemos vidas muito ocupadas e compulsivas? Temos medo de ficar aborrecidos, estamos sempre procurando algo para fazer quando não temos que trabalhar. Entretenimento, viagens, informação inúteis, e conversa fiada incontrolável preenchem as lacunas criadas pela tranquilidade. Quanto das nossas vidas é gasto em mera contemplação, ponderando silenciosamente o nosso papel e lugar no universo?

 

Uma pausa na música não é uma falta de música, mas uma parte integrante da composição. Como Claude Debussy disse, “a música é o silencio entre as notas”.

 

Os livros do Êxodo e Levítico que contêm relatos detalhados da maioria dos rituais do Templo em Jerusalém não mencionam nenhuma forma de atividade verbal que acompanhe esses rituais. Todos os vários atos dos sacerdotes são realizados em silêncio.

O Templo descrito na Torá é um santuário de silêncio. A religião israelita escolheu este Santuário do Silêncio para permitir que o sentimento de reverência perante a santidade se apoderasse daqueles que vieram ao Templo.

 

Rosh ha-Shanah e Yom Kippur são chamados “Yamim Noraim”, “Dias de Pavor”, porque nos convidam a pensar em silêncio sobre a transcendência, a importância e, sim, a precariedade e vulnerabilidade da nossa existência.

 

Os humanos desafiam a gravidade, andam de montanha russa, descem de pára-quedas das alturas, isto e muito mais para sentirem emoção. Os adolescentes dizem que estas experiências são “espectaculares”.  Uma experiência inquietante, mas incrível

 

Os “Yamim Noraim”, são “Dias de Pavor”, dias em que somos convidados a “saltar” para aquilo a que os místicos judeus chamam “o abismo”, o espaço do qual somos uma pequena parte.

 

Estamos compreensivelmente desconfortáveis a pensar no desconhecido. De que nos serviria isso? Muitos de nós acreditamos que estes feriados são apenas dias em que dizemos “olá” uns aos outros.

A psicanalista Karen Horney conta de um dos seus pacientes que, quando lhe perguntaram como estava, respondeu: “Se não fosse pela realidade, eu estaria muito bem.”

O mais próximo que chegamos da realidade das nossas vidas é testemunhar um acontecimento assombroso ou viver vicariamente a atuação de outros. 

Se houvesse apenas uma razão prática para observar Rosh Ha-Shanna e Yom Kippur, seria a necessidade de restaurar a capacidade de olhar para nós mesmos de volta às nossas vidas. Sem o impedimento das armadilhas e distrações que a nossa cultura proporciona.

Este ano Covid, isolado dos outros, oferece-nos a oportunidade de entrar num “santuário de silêncio”, onde podemos sentir admiração ao contemplar as nossas vidas e gratidão por podermos viver mais um dia, mais uma semana, mais um ano.

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